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Estratégia de Desenvolvimento da Mandioca para Moçambique
Junho 2008
Eng. Jaime Nicols é Director Nacional do Comércio, Ministério da Indústria e Comércio, Moçambique.
Luisa Patrocinio é Oficial de Programa, Rapresentação da FAO.
Antecedentes
Reconhencendo que a mandioca tem um grande potencial para estimular o crescimento económico e melhorar o modo de vida dos camponeses pobres, o governo pediu o apoio da FAO para desenhar uma Estratégia para o Desenvolvimento do Sub - sector da Mandioca.
LP:
Porquê uma estratégia para a mandioca?
JN:
O Ministério da Indústria e Comércio identificou a mandioca como um dos produtos sobre os quais Moçambique tem vantagens competitivas e comparativas no âmbito da Estratégia de Comercialização Agrícola. Por esse facto, a mandioca é uma das culturas mais importantes para a dieta das populações em Moçambique e contribui significativamente para a segurança alimentar.
Portanto, o Ministério preparou a estratégia em colaboração com as
instituções membros do Grupo de Trabalho sobre Mandioca. As conclusões da estratégia incluem um plano de acções de seguimento que interessam as diferentes instituições intervenientes. No horizonte temporal de curto e longo prazo, este plano mostra como cada sector da economia deverá intervir pontualmente em cada nível da cadeia da mandioca, da investigação até os mercados. Estas intervenções planificadas irão permitir um aumento da produção e da competitividade da mandioca moçambicana assim que este produto seja um verdadeiro instrumento para combater a fome e a pobreza do pequeno camponês através da criação de novas oportunidades de comercialização e rendimento.
LP:
Quais são as conclusões principais da estratégia?
JN:
A estratégia pretende maximizar a grande potencialidade que a mandioca oferece para melhorar a segurança alimentar. Portanto, a estratégia vai estimular a realização duma produção melhorada e regular para atingir um volume de produção que justifica a eficiente comercialização e o agro-processamento em escala de produtos derivados da mandioca, tomando em conta o grande potencial da mandioca como matéria-prima.
Por exemplo, a sua transformação em farinha de alta qualidade para substituir a farinha de trigo até 10% para a produção de pão poderia reduzir os altos custos de importação de trigo e incentivar o crescimento de um mercado doméstico urbano e semi-urbano.
LP:
Quais são os próximos passos do governo em relação às conclusões principais da estratégia?
JN:
O primeiro passo é a divulgação dos principais componentes da estratégia e o plano de acção a ser implementado por parte de todos os intervenientes envolvidos na cadeia de valor da mandioca. Para tal, prevemos a organização duma conferência nacional para lançar a estratégia no fim de Junho, a distribuição de brochuras às Províncias, e o envolvimento dos órgãos de comunicação social e outras agências que tenham interesse no assunto.
Um segundo passo será encorajar investidores privados, que já demonstraram muito interesse, em entrar no negócio deste produto. Para o efeito, nós organizaremos uma reunião com o sector privado, com a participação das instituições chave do Estado e parceiros de cooperação.
LP:
E qual é o impacto potencial que o governo espera ter?
JN:
No horizonte temporal de curto prazo, o Governo já aceitou a estratégia como um instrumento de trabalho e tomada de decisões para contribuir para melhorar a segurança alimentar e abrir mais oportunidades de produção e comercialização no meio rural com o objectivo final de reduzir a pobreza. Portanto, o impacto vai ser na produção, consumo e comercialização da mandioca nas suas diversas formas tanto no meio rural, como no meio semi-urbano e cidades.
O Ministério da Agricultura está no processo de identificação de associações de camponeses para produzir de forma regular uma variedade melhorada de mandioca e de introdução de adaptações tecnológicas para moer a mandioca e obter a farinha. Neste sentido, nas Províncias de Inhambane, Nampula, Zambézia e Cabo Delgado já está em curso o treinamento de produtores para produzir mandioca e de industriais (panificação e moagens) para o uso da mandioca como matéria-prima para a produção da farinha para pão. Este processo vai contar também com o apoio da FAO que aprovou recentemente um projecto de assistência técnica para melhorar a produção e a qualidade da mandioca como reposta ao incremento actual dos preços dos alimentos.